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A iniciativa aposta no reforço da literacia financeira, na expansão dos serviços bancários e digitais e no maior acesso ao crédito para famílias e pequenas empresas, com o objectivo de promover o crescimento económico e reduzir desigualdades.O Governo angolano definiu uma meta ousada de aumentar significativamente o nível de inclusão financeira no país, com o objetivo de alcançar 65% da população adulta integrada no sistema financeiro formal até 2027. A meta foi anunciada durante a apresentação pública da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2025-2027, em Luanda.
Atualmente, cerca de 51% dos cidadãos angolanos continuam fora do sistema financeiro formal, segundo dados oficiais, e apenas um em cada quatro possui um bom nível de literacia financeira — um dos maiores obstáculos à expansão do acesso a produtos e serviços bancários e financeiros.
A ENIF, instituída pelo Decreto Presidencial n.º 237/25, tem como foco principal:
Expandir o acesso a contas de pagamento e serviços bancários, incluindo soluções digitais e móveis;
Promover a literacia financeira em todos os segmentos da população;
Estimular o microcrédito e o acesso ao crédito empresarial, principalmente para pequenos e médios empresários;
Fortalecer a proteção e educação dos consumidores de serviços financeiros;
Reforçar parcerias com o sector privado, sociedade civil e organizações internacionais para acelerar a inclusão.
O estratega financeiro do Governo, José de Lima Massano, ministro de Estado para a Coordenação Económica, destacou que a ENIF visa integrar de forma sustentável mais angolanos no circuito formal da economia, permitindo que cidadãos e empresas acedam a instrumentos financeiros funcionais, seguros e a custos comportáveis, independentemente da sua condição social ou localização geográfica.
O documento do Governo reconhece que a inclusão financeira em Angola enfrenta desafios estruturais significativos. Entre eles estão:
A concentração de serviços financeiros nas zonas urbanas, especialmente em Luanda e no litoral;
A baixa literacia financeira da população;
A falta de documentação civil e acesso limitado a infraestruturas básicas, como eletricidade e internet, barreiras que dificultam a adopção de serviços bancários e digitais. ()
Especialistas consultados por analistas económicos consideram a meta de 65% «ambiciosa», sublinhando que será necessária uma mobilização articulada entre o Governo, a banca, instituições privadas e organismos internacionais para garantir não só o acesso, mas o uso efetivo dos serviços financeiros de forma segura e sustentável.
Segundo o Executivo, o aumento da inclusão financeira deverá contribuir para:
Maior poupança e investimento interno;
Expansão de pequenas e médias empresas;
Redução de desigualdades sociais e regionais;
Fortalecimento da economia formal e maior produtividade económica.
A implementação da ENIF terá início em 2026, com metas progressivas ao longo dos próximos anos, visando transformar o sistema financeiro num instrumento de desenvolvimento inclusivo e sustentável para Angola.




