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Instituição diz que o PIB per capita caiu cerca de 20% nos últimos 15 anos e permanece próximo dos níveis registados em 2005, apesar da recuperação da economia.Instituição considera que a recuperação da economia permanece demasiado lenta para gerar um impacto significativo no rendimento das famílias e aponta a diversificação económica como prioridade.
O Banco Mundial voltou a lançar um aviso sobre o ritmo de crescimento da economia angolana, considerando que a actual trajectória continua insuficiente para produzir melhorias significativas nas condições de vida da população. Apesar dos sinais de recuperação observados nos últimos anos, a instituição defende que o país necessita de acelerar as reformas estruturais para transformar crescimento económico em prosperidade sustentável.
De acordo com a mais recente avaliação da instituição financeira internacional, Angola deverá registar um crescimento económico de aproximadamente 2,4% em 2026, impulsionado sobretudo pelos sectores não petrolíferos. No entanto, a contínua redução da produção de petróleo continua a limitar a expansão global da economia, mantendo o país abaixo do ritmo necessário para elevar o rendimento médio da população.
Embora actividades como agricultura, comércio, serviços, telecomunicações e construção tenham demonstrado maior dinamismo, o Banco Mundial considera que estes sectores ainda não possuem dimensão suficiente para compensar o peso da desaceleração petrolífera, responsável por uma parte significativa das receitas fiscais e das exportações nacionais.
Na análise do organismo, um dos principais desafios de Angola é que o crescimento económico continua a ser incapaz de acompanhar o crescimento demográfico e de gerar empregos formais em quantidade suficiente.
Na prática, isso significa que, mesmo com a economia a crescer, muitas famílias continuam sem sentir melhorias relevantes no seu poder de compra, num contexto ainda marcado por inflação elevada, pressão sobre o custo de vida e reduzida capacidade de criação de emprego qualificado.
O relatório destaca igualmente o Corredor do Lobito como um dos principais projectos capazes de impulsionar a transformação estrutural da economia angolana.
Segundo o Banco Mundial, o corredor poderá desempenhar um papel determinante na diversificação económica, facilitando o comércio regional, reduzindo custos logísticos e criando novas oportunidades de investimento privado, especialmente nos sectores da agricultura, mineração, indústria transformadora e logística. A iniciativa está alinhada com os objectivos definidos no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023–2027.
A instituição sublinha que a manutenção da estabilidade macroeconómica, acompanhada por reformas que promovam maior produtividade, um ambiente de negócios mais competitivo e maior participação do sector privado, será essencial para elevar o potencial de crescimento do país.
Entre as prioridades identificadas estão o fortalecimento das instituições, o investimento em capital humano, a melhoria das infra-estruturas e a criação de condições para que empresas nacionais possam expandir a produção e gerar emprego de forma sustentável.
A mensagem do Banco Mundial reforça um diagnóstico recorrente sobre a economia angolana: crescer deixou de ser suficiente.
O verdadeiro desafio passa por garantir que esse crescimento seja inclusivo, diversificado e capaz de aumentar o rendimento das famílias, reduzir a pobreza e criar oportunidades económicas fora da dependência do petróleo.
Sem uma aceleração das reformas e uma expansão mais robusta dos sectores produtivos, Angola poderá continuar a registar crescimento económico positivo, mas insuficiente para alterar de forma significativa o nível de vida da maioria da população.




